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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Teu cheiro

Teu cheiro se espalha pela casa,
Sala, quarto, travesseiro, me vira a cabeça,
Me maltrata e me deixa querendo ter teu cheiro sempre assim.

E me invade e me sufoca
Faz meu mundo girar
Dar voltas e voltas e voltar ao mesmo lugar.

Mesmo lugar de onde já tentei sair
Já deixei tudo pra trás e parti,
Mas voltei mesmo sem querer por estar preso ao que me faz bem.

Ou me faz mal, não sei ao certo,
Teu cheiro me persegue e me entorpece,
Como o cheiro da mais linda flor encanta o mais tímido beija-flor.

E ele sabe que não resiste,
E aproveita o curto momento que tem
Para beijar a flor e provar a doçura do seu mel.


sexta-feira, 17 de junho de 2011

Farto do lirismo comedido.. do lirismo funcionário público


E chega um momento nas nossas vidas que nos enfadamos das enrolações, frescuras e questionamentos infindáveis acerca da nossa vã existência, ou da existência de seres-humanos perfeitos. Chega um momento em que pessoas perfeitas não nos interessam mais, queremos pessoas reais, pessoas. Talvez esse seja o verdadeiro passo para a vida adulta, largar a ideológica adolescência pra trás e aceitar o mundo como se é! Me cansei da pequenez egoísta das pessoas que acham merecedoras da companhia de um ser sem defeitos. Peraí, você não é perfeita, mas quer que a outra pessoa seja?
Também me cansei dos maniqueísmos extremistas, do duelo simplório entre o sim e o não, entre o certo e errado, entre o bem e o mal. Não sou absolutamente a favor das cotas nas universidades, assim como não sou extremamente contra; não sou liberal ao extremo quanto ao casamento gay, mas não quero fincar estacas nos corações que amam pessoas do mesmo sexo; não apoio revoluções armadas "guevarianas" e tampouco pensamentos imperialistas absolutos. O extremismo limita a discussão, impede o pensamento humano. O "não", desde a nossa infância, nos bloqueia, o "sim" nos é extremamente permissivo... Sou a favor de cotas nas universidades pra alunos que estudaram em escolas públicas, ou melhor, sou a favor de investimento em escolas públicas de qualidade, que permitam o ingresso de todos, e nisso pouco importa a origem étnica, nas universidades. Religiosamente falando, não entendo o homossexualismo como a prática preferida por Deus, mas entendo que uma Sociedade tem que se adequar ao que as pessoas fazem, e se vivem como casais, merecem ser respeitados como tal perante a lei dos homens... à lei de Deus, esses são outros 500, e resolvam lá com Ele. Assim como não concordo com uma revolução ARMADA que colocou um Ditador por mais 50 e sei-lá quantos anos no poder, com um sistema em que os alunos recebem uma caneta Bic pra passar o ano (????), mas também entendo que pessoas viverem passando fome e sem um lar, enquanto outros nadam em milhões não seja a forma mais justa. E entre tudo isso que eu falei, existem outras milhões de considerações a serem feitas, e não um simples "SIM" ou um "NÃO".Enfim, cansei das pessoas chatas que buscam o que não são e lutam pelo que não sabem.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Mensagem de uma Mãe

Já visitei o Cemitério de Recoleta por duas vezes durante esta estadia em Buenos Aires. É um cemitério diferente do que estamos acostumados. Os mausoléus são verdadeiras obras arquitetônicas, e nenhuma é igual a outra. São utilizados os mais variados tipos de mármores e granitos. Mas o que nos causa espanto é conseguirmos ver os caixões dentro dos mausoléus. Isso mesmo, dá pra ver, eles não são enterrado, são apenas colocados lá dentro.
Em um dos mausoléus havia uma placa de metal com um poema. Era um poema da mãe de um jovem Tenente que havia morrido. Resolvi transcrever o poema, emocionante...

¡Quien como yo sentirá el dolor
Quem, como eu, irá sentir a dor
Si eras de mi carne un pedazo en flor
Se era um pedaço da minha carne transformado em flor
Si eras calco exacto de mi corazón
Se era cópia exata do meu coração
Pedacito mío que iluminó Dios
Um pedacinho de mim que Deus iluminou

Con tu muerte hijo, empezó en mi vida
Com a tua morte, filho, começou em minha vida
Un proceso raro de reencarnación
Um processo diferente de reencarnação
Porque ahora si que te llevo dentro
Porque agora sim que te carrego dentro de mim
Carne de mi carne que forjó el amor!
Carne da minha carne que inventou o amor!

Yo no lloro hijo, porque tú te has ido...
Não choro, filho, porque você se foi…
De mi lado en viaje de superación...
Do meu lado, numa viagem de superação…
Lloro por la pena que tú habrás sentido
Choro pelo sofrimento que deve ter sentido
Al dejar la vida que te dió el señor
Ao deixar a vida que o Senhor te deu

Tú no has muerto hijo, más que nunca hoy vives
Você não está morto, filho, mais que nunca hoje está vivo
En mi extraña herida por un gran dolor…
Na minha estranha ferida causada por uma grande dor
Dolor de las madres, dolor de una vida
Dor das mães, dor de uma vida
Que al nacer un hijo se convierte en flor.
Que, ao nascer um filho, se converte em flor.

Soy yo la que ha muerto aunque siga viva
Sou eu que morri, mesmo que continue viva
Soy yo la que tengo muerto el corazón
Sou eu que tenho o coração morto
Un buitre en mi pecho desangra mi herida
Um abutre em meu peito suga o sangue de minha ferida
Y solo hay en mi alma, angustia y dolor.
E só tenho, em minha alma, angústia e dor
Tu madre!
Sua mãe!


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A vida como um filme

Depois que assisti ao filme Comer, Rezar, Amar, percebi que minha vida também estava se organizando em etapas como as realizadas por Julia Roberts. No ano passado, já sem o peso (financeiro e intelectual) da faculdade pude aproveitar melhor e mais os momentos livres. O COMER, na minha história, tem um sentido mais amplo, tem um sentido de aproveitar, e aproveitar acima de tudo a mim mesmo. Acredito que o verbo inglês TO ENJOY reflita melhor o que foi essa fase. Gastei mais dinheiro comigo mesmo, comprei roupas que queria, comi nos lugares que tive vontade, fui às festas que achei que seriam divertidas, fiz surpresas insanas, dei presentes, flores, lembranças... enfim, fiz aquilo que ME deixava feliz, e era isso que importava. Eu estava curtindo by myself, apesar de o destino tentar mudar as coisas de vez em quando. Não seria a hora... não era a hora... não foi a hora... Por que eu sabia que outra fase viria, o REZAR.
Para mim, o significado também seria outro, tão introspectivo e pessoal quanto rezar, ESTUDAR. Escolhi estudar outro idioma em outro país, viver a cultura local e mergulhar num mar de novos conhecimentos. Destino escolhido: Buenos Aires, a capital da nossa vizinha Argentina. Por uma questão geográfica, financeira e prática. Já tinha referências do local, o câmbio favorecia, nem tão longe do bom e velho Brasil, facilidades que me conquistaram. Chegar a um país desconhecido, no qual você tem pouco conhecimento do idioma é assustador. Felizmente não cheguei sozinho. Consegui a companhia de uma amiga e que foi fundamental nessa parte do plano, eu tinha com quem conversar, com quem rir dos micos que pagamos, com quem almoçar, com quem jantar, enfim, um apoio. Essa primeira semana foi de transição, estudava pelas manhãs, mas a tarde e a noite o lado turista falava mais alto. Conhecemos os principais pontos turísticos, as principais avenidas e ruas, os bairros os restaurantes, shows, teatro. Agora, já sozinho aqui, me debruço sobre a mesa e estudo gramática espanhola por algumas horas. Assistir TV é, acima de tudo, um exercício de muita concentração para entender o que estão falando, pensando o tempo todo pra compreender, e isso cansa... Mas logo as semanas vão passando, o ouvido vai se apurando, o cérebro vai aprendendo e isso passa... passa... porque ainda tem outra fase para chegar...o AMAR.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ao(s) Mestre(s) Com Carinho

Todo fim de uma longa jornada é repleta de agradecimentos, despedidas, satisfação... E não é muito diferente o que vim fazer aqui. Mas é um agradecimento mais do que justo. Agradecer àqueles que me ensinaram tantas e tantas coisas ao longo de toda a caminhada, desde a 1ª série até o derradeiro dia de aula na Universidade. Mas um Mestre, em especial, eu tenho que homenagear. Professora por formação e por devoção, foi professora da minha vida. Me ensinou tudo o que sou e, como citei em meu Trabalho de Conclusão de Curso, esteve sempre presente, enxugando minhas lágrimas e meu suor, nos momentos tristes e felizes de toda a minha vida. Minha mãe é, sem dúvida alguma, a pessoa mais importante para mim e, a ela, dedico esta singela canção.

To Sir With Love
Lulu
Composição: Don Black e Marc London

Those school girl days
of telling tales
and biting nails are gone
But in my mind
I know they will still live on and on
But how do you thank someone
who has taken you from crayons to perfume
It isn't easy, but I'll try

If you wanted the sky I'd write across the sky in letters
that would soar a thousand feet high
To Sir, with love

The time has come
for closing books
and long last looks must end
And as I leave
I know that I am leaving my best friend
A friend who taught me right from wrong
and weak from strong
that's a lot to learn
What, what can I give you in return?

If you wanted the moon I'd try to make a start
but I would rather you let me give my heart
To Sir, with love

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sinto Falta...

Cada dia mais tenho sentido falta das vozes das pessoas, das expressões, do toque, dos cheiros, enfim, do contato entre nós. É comum trocarmos e-mails, recados no Orkut, Facebook e outras redes sociais, falarmos ao celular, mandarmos SMS (ou torpedos, como queiram), mas tem se tornado raro um encontro casual de amigos para bater um bom papo.

Eu sou um adepto destas tecnologias. Mantenho contato com muitos amigos lendo os recados deixados por eles no Orkut pela minha caixa de e-mail, já que o acesso ao site é bloqueado na maioria das empresas, e respondo por torpedos no celular, sei que este será lido antes do e-mail, misturado a outras dezenas. E acho que por isso é que sinto tanta falta. Apesar das facilidades que elas me proporcionam, como pagar contas, fazer compras, conhecer produtos, obter informações, ainda assim sou um ser sociável afastado das outras pessoas, não apenas por meu comportamento, mas pelo comportamento coletivo.

A correria do dia faz as pessoas fugirem para suas casas, querendo passar o mínimo de tempo exposto à sociedade. Preferem o conforto de seus lares, a solidão física e a companhia virtual ao contato tête-à-tête.

Lembro-me quando os programas de mensagens instantâneas serviam para marcarmos encontros reais, hoje, quando nos encontramos pessoalmente, marcamos encontros virtuais. Uma inversão nos papéis. Podemos atribuir inúmeros fatores: medo da violência, o conforto, o estresse...

Hoje teclo (palavra nova que eu já adotei, falta o Aurélio adotá-la) com pessoas que nunca ouvi a voz, só as conheço no mundo virtual. Teclo, também, com muitos amigos reais. Destes, alguns são mais amigos virtuais que reais. Conversamos durante horas, cada um no seu refúgio, confortável numa cadeira reclinável, suco de laranja, ar-condicionado. Mas ao nos encontrarmos trocamos poucas palavras, sentados em bancos duros, sob sol escaldante, torcendo para encontrar um vendedor ambulante para comprar uma água. Acho que é isso, estamos nos afastando porque existem poucos ambulantes. Nova teoria, e assim como as outras, não explica nada.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

E agora, José?

Bom, pessoal, com toda essa palhaçada que virou o nosso Senado Brasileiro, me resta perguntar: "E agora, José?"

JOSÉ
Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesto,
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,

seu terno de vidro, sua incoerência,
seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, pra onde?


Essa postagem é uma forma de protesto pelos absurdos realizados por aqueles que nos representam. E também àqueles que se dizem influentes e politizados. Cadê o Movimento Estudantil, a UNE, a CUT e outros defensores árduos da democracia nos anos 80? Ah, me esqueci, são todos Petistas e como tal, não vão se indispor com o PMDB. Mas o PT não é transparência? Não lutou tanto para um estado melhor? E agora, Luiz? E agora, Dilma? E agora, José? E agora, Brasil?