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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Eclipse Total do Coração...

Li, em um dia, o livro O Lado Bom da Vida e me encantei. Presente da minha linda amiga Karina Rocha. Livro devorado e várias passagens presas na minha cabeça. Assisti ao filme e me decepcionei. Uma das cenas mais lindas de todo o livro é a descrição da dança que Pat e Tiffany fazem com a música Total Eclipse of the Heart, e que no filme é totalmente modificada pra uma versão "comédia romântica" sem nada a ver com a obra original. Segue abaixo o trecho (vale a pena ler ouvindo o vídeo no final do post):


A mulher encarregada de apresentar o concurso anuncia nossos nomes, e os aplausos são um pouco mais animados do que os que recebemos antes da competição. Logo antes de me deitar no
fundo do palco, olho para o público para ver se Jake ou Cliff chegaram, mas tudo que vejo é o branco quente dos refletores voltados para mim. Antes que tenha tempo de pensar, a música começa.
Notas de piano — lentas e tristes.
Começo meu rastejar incrivelmente lento até o centro do palco, usando apenas os braços.
A voz masculina canta: “Turn around...”
Bonnie Tyler responde: “Every now and then I get a little bit lonely and you’re never coming round.”
Nesse ponto Tiffany entra correndo no palco e pula por cima de mim como uma gazela ou algum outro animal lindamente ágil. Enquanto as duas vozes continuam a cantar seus versos, Tiffany faz sua coreografia: ela corre, pula, cai, rodopia, desliza — é dança moderna.
Quando entra a bateria, levanto-me e faço um grande círculo com os braços para que as pessoas saibam que eu sou o sol, e que nasci. Os movimentos de Tiffany também se tornam mais intensos. Quando Bonnie Tyler começa o refrão, cantando “Together we can take it to the end of the line; your love is like a shadow on me all of the time”, nós nos lançamos no primeiro passo aéreo. “I don’t know what to do and I’m always in the dark.” Estou segurando Tiffany acima da minha cabeça e estou firme como uma rocha, executando a coreografia com perfeição. “We’re living in a powder keg and giving off sparks.” Começo a rodar Tiffany enquanto ela ergue as pernas e as abre num espacate, e Bonnie Tyler canta: “I really need you tonight. Forever’s gonna start tonight. Forever’s gonna start tonight.” Fazemos um giro de trezentos e sessenta graus e, quando Bonnie Tyler canta “Once upon a time I was falling in love, but now I’m only falling apart”, Tiffany escorrega para baixo nos meus braços e eu a coloco no chão, como se estivesse morta — e eu, como sol, lamento sua morte. “Nothing I can say, a total eclipse of the heart.”
Quando a música volta a subir, Tiffany dá um pulo e começa a voar lindamente pelo palco.
A música continua e volto a fazer círculos enormes e lentos com os braços, representando o sol da melhor maneira possível.
Conheço tão bem a coreografia que posso pensar em outras coisas enquanto danço, então começo a achar que estou mesmo realizando nosso número com muita facilidade e que é uma pena minha família e meus amigos não estarem aqui para me verem dançando de maneira tão sensacional. Por mais que a gente não receba o maior número de aplausos no fim — especialmente depois de Chelsea Chen ter trazido toda a família para assistir à apresentação —, começo a acreditar que vamos ganhar mesmo assim. Tiffany é muito boa, e, enquanto salta ao meu redor diversas vezes, começo a admirá-la de um jeito que eu não tinha admirado até então. Ela está dando tudo de si durante a apresentação e está mostrando um lado que eu ainda não tinha visto. Se, no último mês, ela estava chorando com o corpo enquanto ensaiávamos no estúdio, hoje à noite ela está aos prantos com o corpo, e a pessoa teria que ser feita de pedra para não sentir o que ela está oferecendo.
Bonnie Tyler começa a cantar “Together we can make it to the end of line”, o que significa que está na hora do segundo e mais difícil passo aéreo, então fico de cócoras e ponho as costas de minhas mãos sobre meus ombros. À medida que a música aumenta de intensidade, Tiffany sobe em minhas mãos e, quando Bonnie Tyler canta “I really need you tonight”, ela flexiona os joelhos, então aciono os músculos das minhas pernas e me levanto o mais rápido que posso, estendendo os braços e elevando as palmas das minhas mãos. Tiffany é projetada no ar, faz um giro completo, cai em meus braços, e, enquanto o refrão vai sumindo, olhamos um nos olhos do outro. “Once upon a time I was falling in love, but now I’m only falling apart. Nothing I can do, total eclipse of the heart.” Ela escorrega para fora dos meus braços, como se estivesse morta, e eu — sendo o sol — me apago, o que quer dizer que me deito no chão e uso apenas os braços para lentamente me afastar do brilho dos refletores, o que leva quase um minuto.
A música vai sumindo.
Silêncio.
Por um segundo, fico com medo de que ninguém bata palmas.
Mas então o lugar explode em aplausos.
Quando Tiffany se levanta, eu faço o mesmo. Como ensaiamos diversas vezes, seguro a mão dela e me curvo para a frente, momento em que os aplausos aumentam e o público fica de pé.



domingo, 13 de outubro de 2013

Estou chegando aos 30



Os 30 anos vão chegando e essas datas assim, redondas, bonitas, sempre nos fazem olhar pra traz e tentar identificar algo que o valha nessa trajetória que começou sem querermos e que termina sem pedirmos.

Parei pra pensar e percebi que aos 30, eu já...
Já não tenho mais o mesmo brilho no olhar.
Já me decepcionei com coisas e pessoas que tinha certeza que não me decepcionaria.
Já entendi que devo continuar confiando nas pessoas.
Já aprendi a ter sempre um pé atrás.
Já aprendi a ter sempre um pé a frente.

Já posso dar minha opinião sobre qualquer coisa.
Já posso falar o que penso, como penso.
Já posso arcar com as consequências do que faço.
Já aprendi que posso chorar – sim, homens choram, na frente de quem quer que seja e por aquilo que lhes convier.

Já não tenho vergonha.
Já não tenho vergonha de errar.
Já não tenho vergonha de tentar.
Já não tenho vergonha de amar.

Já tenho marcas no rosto que mostram as agruras que passei.
Já tenho marcas que mostram as vitórias que conquistei.
Já tenho marcas que não doem mais.
Já tenho marcas.

Já não acredito que posso mudar o mundo.
Já não acredito que o mundo possa me mudar.
Já entendi que nada é pra sempre.
Já entendi que nada pode ser entendido.
Já entendi que nada entendi.
Mas ainda sofro com tudo isso.
Estou chegando aos 30.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Dois pesos, duas medidas

Já falei aqui neste blog sobre a dicotomia criada e incentivada ao longo do tempo – desde a idade média, no mínimo – entre BEM e MAL, entre SIM e NÃO, como se fossem dois lados de uma moeda na qual cada hora uma face está para o alto. (Veja o texto completo aqui)
Volto a tocar nesse assunto, sob outro aspecto: O peso do CERTO (???) em relação ao ERRADO (???).
Já enchi de interrogações porque podemos filosofar interminavelmente sobre o conceito de certo e errado, mas não é essa a intenção. Vou usar estas palavras no seu sentido mais simples. CERTO e ERRADO a partir do seu próprio ponto de vista, independentemente de ser certo ou não para outra pessoa. Leia este texto pensando nos seus próprios valores. (como naquela brincadeira do: “Pense em um número!”, ao final, chegaremos ao 8, de qualquer maneira)
Quantas vezes alguém te fez uma coisa boa e você nem reparou, não agradeceu, achou normal e seguiu adiante? E quantas vezes alguém errou (lembre-se de como você tem que pensar) com você e sua reação foi brigar, tirar satisfação, terminar um relacionamento, uma amizade ou o que quer que seja?
Atualmente, valoriza-se demais o erro, o mal, o mau. Fazer o bem, o certo, o bom tornou-se descartável, como se fosse obrigação. Pode haver 36 acertos, mas se houver 1 erro, pronto, tudo corre o sério risco de ir por água abaixo.
Injusto, né? Até porque, lembre-se, o ERRO em questão é sob o SEU ponto de vista. Você usa seus próprios valores pra julgar a ação de outra pessoa, o julga, define que é errado e o condena. Simples e rápido como uma tacada de bilhar.
Não que devamos banalizar os erros e os pedidos de desculpas. Longe disso. Cada pedido de desculpa carrega em si um arrependimento (que deve ser verdadeiro) e o comprometimento em mudar a atitude. Um pedido de desculpas só vale se resultar em ação, se resultar em concordância com o julgamento sumário pré-realizado por um das partes.
Dizem que perdoar é divino. Pedir perdão, de verdade, também o é. É reconhecer seu erro, admitir uma falha, mas ter a grandeza de buscar mudar, melhorar.
O perdoar é reconhecer esta disposição do outro, lembrar-se de seus defeitos e erros tantas vezes perdoados, é deixar renascer tudo aquilo de bom que sustentava a relação.

Num mundo onde TODOS erram e acertam, a balança devia ser mais equilibrada. Isso melhoraria muita coisa.



terça-feira, 12 de março de 2013

A Ruptura




Cada um de nós passa por diversos momentos de ruptura ao longo da vida... O primeiro deles é nascer... ou até antes, sair em disparada, contra milhões de concorrentes rumo a um lugar que nem sabíamos qual seria. Rompemos o óvulo, rompemos a placenta, rompemos a mamadeira, rompemos as fraldas. Alguns param por aí, e, a partir daí, vão caminhando tão vagarosamente que chegam aos 40 anos como se tivessem 15 – ao menos na cabeça.
Os outros 90 e tantos por cento continuam rompendo. Rompem de tudo. Na infância, rompemos as crenças, rompemos a espera do Papai Noel, do Coelhinho da Páscoa, da Fada do Dente, dos desenhos animados, dos heróis... Essa ruptura, pra mim, é a mais difícil... Entender que não existem heróis, que somos todos incapazes de salvarmos o mundo, que a vida de todos não depende da nossa.
Aprendemos, então, o tamanho da nossa insignificância. Da nossa irrelevância para o que acontece. II Guerra Mundial, você nem existia. Atentados de 11 de setembro, você não tem nada com isso. Naufrágio do Titanic, então, mal se lembra do Leonardo di Caprio morrendo no filme. Nada depende ou dependeu de nós.
Mais uma ruptura, a ruptura de nós mesmos. Nós nos apegamos, sofremos, queremos, choramos. Acreditamos que nossas uniões são pra sempre, são inquebráveis.
Mas o passar do tempo nos mostra o contrário, nos mostra que essa ruptura é o que nos liberta. Se rompemos é porque nos prende, se rompe é porque estava no limite, se romperá é porque alcançará seu ápice.
O elástico só se rompe em duas situações, ou por fadiga ou por excesso. Nunca rompe na normalidade. Um relacionamento só se rompe em duas situações, ou por fadiga ou por excesso. E pode ser excesso de amor. Pode ser excesso de ciúmes. Pode ser excesso de sexo. Tudo em excesso rompe.
Bem-aventurados os que rompem e conseguem prosseguir de cabeça erguida. Que sobre a garoa gelada da tristeza, erguem a cabeça, sabendo que a ruptura, além da frustração de um fim, traz uma nova liberdade. Levante a cabeça, busque encarar a ruptura como uma nova liberdade sempre. 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Balanço Anual: Me livrando das amarras


Chegada a hora do balanço anual. Empresas fazem, escolas fazem, lojas fazem e nós também. Individualmente, avaliamos o que foi bom, o que foi ruim, colocamos tudo na nossa balança da consciência e definimos se tivemos um bom ou um mau ano. Eu sempre espero a semana derradeira porque costumeiramente os dias ao redor do Natal são, para mim, sempre cheios de surpresas. Já tive que correr do dia 26 ao dia 29 para fazer 15 – isso mesmo, 15 – exames diferentes para levar, logo no dia 2, no CPOR-SP para prosseguir no processo seletivo da Escola Preparatória de Cadetes do Exército, e não foi nada fácil conseguir fazê-los no prazo e conseguir todos os resultados. Claro que minha mãe esteve ao meu lado o tempo todo, como um anjo protetor.
Mas dessa história já se passam nove anos. Voltando ao balanço DESTE ano, no fundo todos são muito parecidos. Momentos bons e ruins, pessoas indo e vindo. Mas, sem dúvidas, este ano me serviu para que eu definisse, cada vez mais, o que eu NÃO quero. Minha supersinceridade à flor da pele me ajudou muito a fazer isso, trazendo algumas intempéries, é verdade, mas inigualavelmente prazerosas, pelo simples fato de serem verdadeiras. O bom de amadurecer – envelhecer, pode ser também, não tenho medo disso – é você, cada dia mais, saber quem você é, do que gosta, no que acredita e, principalmente, por poder dizer tudo isso livremente. Alguns só atingem esse estágio de libertação com mais idade, eu prefiro antecipar. Desta forma, vou deixando ao meu redor as pessoas que me aceitam como sou, respeitam o que sou e no que acredito. E vejam que não estou dizendo que fico rodeado de pessoas que pensam como eu, apenas que aceitam o que penso, assim como eu aceito o que elas pensam. A beleza da convivência humana está nas diferenças e em aceitá-las.
O tempo nos faz valorizar mais as pessoas pelo que elas são verdadeiramente. Aquilo que, de fato, vai permanecer. Beleza e dinheiro, por exemplo, se acabam. Sinceridade, companheirismo e amizade, estes permanecem. E só a maturidade forjada pelo tempo pode nos ensinar isso.
Em vários outros aspectos, 2012 foi um ano péssimo, daqueles para ser esquecido, mas no campo pessoal, ufa, esse sim valeu a pena. Que 2013 venha para preencher o que 2012 não preencheu e me deixar cada vez mais livre para expressar o que sou.
Que Deus abençoe a todos e lhes dê um excelente 2013!


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Ninguém muda, além de você...


Muitas vezes esperamos e apostamos nossas fichas em mudanças... mas elas nem sempre vêm. Principalmente quando esperamos que outras pessoas mudem. Sinceramente, as pessoas não mudam, as pessoas criam seus valores e ali se firmam, criam seus alicerces e ponto. Eu não mudo, você não muda, ele não muda, ninguém muda.
E olha que eu sou muito adepto de mudanças, já mudei de empregos, de cidades, de casas... Mas sei que nunca deixarei de ser quem sou e ter os valores que tenho. Mude sim, mude de PESSOAS. Insatisfeito no trabalho, MUDE! Insatisfeito na cidade onde mora, MUDE! Insatisfeito com as amizades, MUDE! Insatisfeito com seu companheiro, MUDE! Mantendo as coisas como estão, suas insatisfações serão as mesmas, suas decepções com as pessoas continuarão as mesmas, e pior, seu futuro estará fadado a seguir este caminho, que não é o que você quer.
A vida é uma só, e é justo que busquemos – mesmo que leve a vida toda – aquilo que nos faz feliz.
Mudar não é fácil, sair da inércia, no qual nos colocamos sentados apenas para reclamar e desejar um futuro diferente ou ações diferentes das pessoas, é um passo complicado e que requer força e novas ações. Einstein dizia que se você quer resultados diferentes, faça coisas diferentes. Coisas iguais terão sempre os mesmos resultados.
Mudar, para muitos, é sinônimo de imaturidade, de irresponsabilidade, de incerteza. Pois é exatamente o contrário. Os imaturos, irresponsáveis e inseguros permanecem onde estão, não saem da zona de conforto. Os maduros, responsáveis, seguros e, geralmente, competentes mudam, buscam encontrar pessoas como elas, buscam ambientes que permitam evoluir, crescer, com suor e trabalho, sem dúvidas, mas precisam ser ambientes que criem desafios. Estas pessoas querem, acima de tudo, ser felizes e estar satisfeitos.
Mas estas mesmas pessoas titubeiam em sair porque sabem o valor que tem onde estão, sabem que são peças importantes e sabem que estão contribuindo, dando muito mais que recebendo.
A vida é uma só – até onde temos garantias físicas disso, e se houver outras, na ocasião não me lembrarei desta e viverei novamente como se fosse a única – então aproveite, arrisque, vá, faça, volte, busque, tente, VIVA!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Teu cheiro

Teu cheiro se espalha pela casa,
Sala, quarto, travesseiro, me vira a cabeça,
Me maltrata e me deixa querendo ter teu cheiro sempre assim.

E me invade e me sufoca
Faz meu mundo girar
Dar voltas e voltas e voltar ao mesmo lugar.

Mesmo lugar de onde já tentei sair
Já deixei tudo pra trás e parti,
Mas voltei mesmo sem querer por estar preso ao que me faz bem.

Ou me faz mal, não sei ao certo,
Teu cheiro me persegue e me entorpece,
Como o cheiro da mais linda flor encanta o mais tímido beija-flor.

E ele sabe que não resiste,
E aproveita o curto momento que tem
Para beijar a flor e provar a doçura do seu mel.


sexta-feira, 17 de junho de 2011

Farto do lirismo comedido.. do lirismo funcionário público


E chega um momento nas nossas vidas que nos enfadamos das enrolações, frescuras e questionamentos infindáveis acerca da nossa vã existência, ou da existência de seres-humanos perfeitos. Chega um momento em que pessoas perfeitas não nos interessam mais, queremos pessoas reais, pessoas. Talvez esse seja o verdadeiro passo para a vida adulta, largar a ideológica adolescência pra trás e aceitar o mundo como se é! Me cansei da pequenez egoísta das pessoas que acham merecedoras da companhia de um ser sem defeitos. Peraí, você não é perfeita, mas quer que a outra pessoa seja?
Também me cansei dos maniqueísmos extremistas, do duelo simplório entre o sim e o não, entre o certo e errado, entre o bem e o mal. Não sou absolutamente a favor das cotas nas universidades, assim como não sou extremamente contra; não sou liberal ao extremo quanto ao casamento gay, mas não quero fincar estacas nos corações que amam pessoas do mesmo sexo; não apoio revoluções armadas "guevarianas" e tampouco pensamentos imperialistas absolutos. O extremismo limita a discussão, impede o pensamento humano. O "não", desde a nossa infância, nos bloqueia, o "sim" nos é extremamente permissivo... Sou a favor de cotas nas universidades pra alunos que estudaram em escolas públicas, ou melhor, sou a favor de investimento em escolas públicas de qualidade, que permitam o ingresso de todos, e nisso pouco importa a origem étnica, nas universidades. Religiosamente falando, não entendo o homossexualismo como a prática preferida por Deus, mas entendo que uma Sociedade tem que se adequar ao que as pessoas fazem, e se vivem como casais, merecem ser respeitados como tal perante a lei dos homens... à lei de Deus, esses são outros 500, e resolvam lá com Ele. Assim como não concordo com uma revolução ARMADA que colocou um Ditador por mais 50 e sei-lá quantos anos no poder, com um sistema em que os alunos recebem uma caneta Bic pra passar o ano (????), mas também entendo que pessoas viverem passando fome e sem um lar, enquanto outros nadam em milhões não seja a forma mais justa. E entre tudo isso que eu falei, existem outras milhões de considerações a serem feitas, e não um simples "SIM" ou um "NÃO".Enfim, cansei das pessoas chatas que buscam o que não são e lutam pelo que não sabem.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Mensagem de uma Mãe

Já visitei o Cemitério de Recoleta por duas vezes durante esta estadia em Buenos Aires. É um cemitério diferente do que estamos acostumados. Os mausoléus são verdadeiras obras arquitetônicas, e nenhuma é igual a outra. São utilizados os mais variados tipos de mármores e granitos. Mas o que nos causa espanto é conseguirmos ver os caixões dentro dos mausoléus. Isso mesmo, dá pra ver, eles não são enterrado, são apenas colocados lá dentro.
Em um dos mausoléus havia uma placa de metal com um poema. Era um poema da mãe de um jovem Tenente que havia morrido. Resolvi transcrever o poema, emocionante...

¡Quien como yo sentirá el dolor
Quem, como eu, irá sentir a dor
Si eras de mi carne un pedazo en flor
Se era um pedaço da minha carne transformado em flor
Si eras calco exacto de mi corazón
Se era cópia exata do meu coração
Pedacito mío que iluminó Dios
Um pedacinho de mim que Deus iluminou

Con tu muerte hijo, empezó en mi vida
Com a tua morte, filho, começou em minha vida
Un proceso raro de reencarnación
Um processo diferente de reencarnação
Porque ahora si que te llevo dentro
Porque agora sim que te carrego dentro de mim
Carne de mi carne que forjó el amor!
Carne da minha carne que inventou o amor!

Yo no lloro hijo, porque tú te has ido...
Não choro, filho, porque você se foi…
De mi lado en viaje de superación...
Do meu lado, numa viagem de superação…
Lloro por la pena que tú habrás sentido
Choro pelo sofrimento que deve ter sentido
Al dejar la vida que te dió el señor
Ao deixar a vida que o Senhor te deu

Tú no has muerto hijo, más que nunca hoy vives
Você não está morto, filho, mais que nunca hoje está vivo
En mi extraña herida por un gran dolor…
Na minha estranha ferida causada por uma grande dor
Dolor de las madres, dolor de una vida
Dor das mães, dor de uma vida
Que al nacer un hijo se convierte en flor.
Que, ao nascer um filho, se converte em flor.

Soy yo la que ha muerto aunque siga viva
Sou eu que morri, mesmo que continue viva
Soy yo la que tengo muerto el corazón
Sou eu que tenho o coração morto
Un buitre en mi pecho desangra mi herida
Um abutre em meu peito suga o sangue de minha ferida
Y solo hay en mi alma, angustia y dolor.
E só tenho, em minha alma, angústia e dor
Tu madre!
Sua mãe!


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A vida como um filme

Depois que assisti ao filme Comer, Rezar, Amar, percebi que minha vida também estava se organizando em etapas como as realizadas por Julia Roberts. No ano passado, já sem o peso (financeiro e intelectual) da faculdade pude aproveitar melhor e mais os momentos livres. O COMER, na minha história, tem um sentido mais amplo, tem um sentido de aproveitar, e aproveitar acima de tudo a mim mesmo. Acredito que o verbo inglês TO ENJOY reflita melhor o que foi essa fase. Gastei mais dinheiro comigo mesmo, comprei roupas que queria, comi nos lugares que tive vontade, fui às festas que achei que seriam divertidas, fiz surpresas insanas, dei presentes, flores, lembranças... enfim, fiz aquilo que ME deixava feliz, e era isso que importava. Eu estava curtindo by myself, apesar de o destino tentar mudar as coisas de vez em quando. Não seria a hora... não era a hora... não foi a hora... Por que eu sabia que outra fase viria, o REZAR.
Para mim, o significado também seria outro, tão introspectivo e pessoal quanto rezar, ESTUDAR. Escolhi estudar outro idioma em outro país, viver a cultura local e mergulhar num mar de novos conhecimentos. Destino escolhido: Buenos Aires, a capital da nossa vizinha Argentina. Por uma questão geográfica, financeira e prática. Já tinha referências do local, o câmbio favorecia, nem tão longe do bom e velho Brasil, facilidades que me conquistaram. Chegar a um país desconhecido, no qual você tem pouco conhecimento do idioma é assustador. Felizmente não cheguei sozinho. Consegui a companhia de uma amiga e que foi fundamental nessa parte do plano, eu tinha com quem conversar, com quem rir dos micos que pagamos, com quem almoçar, com quem jantar, enfim, um apoio. Essa primeira semana foi de transição, estudava pelas manhãs, mas a tarde e a noite o lado turista falava mais alto. Conhecemos os principais pontos turísticos, as principais avenidas e ruas, os bairros os restaurantes, shows, teatro. Agora, já sozinho aqui, me debruço sobre a mesa e estudo gramática espanhola por algumas horas. Assistir TV é, acima de tudo, um exercício de muita concentração para entender o que estão falando, pensando o tempo todo pra compreender, e isso cansa... Mas logo as semanas vão passando, o ouvido vai se apurando, o cérebro vai aprendendo e isso passa... passa... porque ainda tem outra fase para chegar...o AMAR.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ao(s) Mestre(s) Com Carinho

Todo fim de uma longa jornada é repleta de agradecimentos, despedidas, satisfação... E não é muito diferente o que vim fazer aqui. Mas é um agradecimento mais do que justo. Agradecer àqueles que me ensinaram tantas e tantas coisas ao longo de toda a caminhada, desde a 1ª série até o derradeiro dia de aula na Universidade. Mas um Mestre, em especial, eu tenho que homenagear. Professora por formação e por devoção, foi professora da minha vida. Me ensinou tudo o que sou e, como citei em meu Trabalho de Conclusão de Curso, esteve sempre presente, enxugando minhas lágrimas e meu suor, nos momentos tristes e felizes de toda a minha vida. Minha mãe é, sem dúvida alguma, a pessoa mais importante para mim e, a ela, dedico esta singela canção.

To Sir With Love
Lulu
Composição: Don Black e Marc London

Those school girl days
of telling tales
and biting nails are gone
But in my mind
I know they will still live on and on
But how do you thank someone
who has taken you from crayons to perfume
It isn't easy, but I'll try

If you wanted the sky I'd write across the sky in letters
that would soar a thousand feet high
To Sir, with love

The time has come
for closing books
and long last looks must end
And as I leave
I know that I am leaving my best friend
A friend who taught me right from wrong
and weak from strong
that's a lot to learn
What, what can I give you in return?

If you wanted the moon I'd try to make a start
but I would rather you let me give my heart
To Sir, with love

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sinto Falta...

Cada dia mais tenho sentido falta das vozes das pessoas, das expressões, do toque, dos cheiros, enfim, do contato entre nós. É comum trocarmos e-mails, recados no Orkut, Facebook e outras redes sociais, falarmos ao celular, mandarmos SMS (ou torpedos, como queiram), mas tem se tornado raro um encontro casual de amigos para bater um bom papo.

Eu sou um adepto destas tecnologias. Mantenho contato com muitos amigos lendo os recados deixados por eles no Orkut pela minha caixa de e-mail, já que o acesso ao site é bloqueado na maioria das empresas, e respondo por torpedos no celular, sei que este será lido antes do e-mail, misturado a outras dezenas. E acho que por isso é que sinto tanta falta. Apesar das facilidades que elas me proporcionam, como pagar contas, fazer compras, conhecer produtos, obter informações, ainda assim sou um ser sociável afastado das outras pessoas, não apenas por meu comportamento, mas pelo comportamento coletivo.

A correria do dia faz as pessoas fugirem para suas casas, querendo passar o mínimo de tempo exposto à sociedade. Preferem o conforto de seus lares, a solidão física e a companhia virtual ao contato tête-à-tête.

Lembro-me quando os programas de mensagens instantâneas serviam para marcarmos encontros reais, hoje, quando nos encontramos pessoalmente, marcamos encontros virtuais. Uma inversão nos papéis. Podemos atribuir inúmeros fatores: medo da violência, o conforto, o estresse...

Hoje teclo (palavra nova que eu já adotei, falta o Aurélio adotá-la) com pessoas que nunca ouvi a voz, só as conheço no mundo virtual. Teclo, também, com muitos amigos reais. Destes, alguns são mais amigos virtuais que reais. Conversamos durante horas, cada um no seu refúgio, confortável numa cadeira reclinável, suco de laranja, ar-condicionado. Mas ao nos encontrarmos trocamos poucas palavras, sentados em bancos duros, sob sol escaldante, torcendo para encontrar um vendedor ambulante para comprar uma água. Acho que é isso, estamos nos afastando porque existem poucos ambulantes. Nova teoria, e assim como as outras, não explica nada.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

E agora, José?

Bom, pessoal, com toda essa palhaçada que virou o nosso Senado Brasileiro, me resta perguntar: "E agora, José?"

JOSÉ
Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesto,
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,

seu terno de vidro, sua incoerência,
seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, pra onde?


Essa postagem é uma forma de protesto pelos absurdos realizados por aqueles que nos representam. E também àqueles que se dizem influentes e politizados. Cadê o Movimento Estudantil, a UNE, a CUT e outros defensores árduos da democracia nos anos 80? Ah, me esqueci, são todos Petistas e como tal, não vão se indispor com o PMDB. Mas o PT não é transparência? Não lutou tanto para um estado melhor? E agora, Luiz? E agora, Dilma? E agora, José? E agora, Brasil?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Isso aqui é uma festa de família!

Entre as minhas navegações cada vez mais aleatórias pela grande rede mundial de computadores encontrei uma matéria no G1 da globo.com sobre uma denúncia feita por Ivete Sangalo durante um show. Ela conseguiu ver um rapaz roubando a carteira do outro. Veja no vídeo a reação dessa mulher fantástica, divertida, inteligente e com uma voz irresistível. Sinceramente, não sou fã absoluto da Ivete, mas reconheço que festas e micaretas com as músicas dela ficam melhores. Vários são os hits dessa baiana de sangue quente. A "deduragem" começa por volta dos 2:09 do vídeo. Assitam.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Casamento é tudo igual.

Por diversas vezes, ao falar que iria a um casamento, ouvi pessoas dizendo que casamento “é tudo igual!!”. Noiva de branco, mães chorando, tias solteironas loucas pra pegar o buquê, padre tentando garantir a perpetuosidade do casamento, pajens de terno bem engraçadinhos, a daminha de honra tensa até o último fio de cabelo e os convidados falando mal do Buffet.
Essas são características quase sempre presentes num casamento nos padrões brasileiros, mas há muita coisa além disso. Principalmente quando este casamento é de um amigo de longa data como o que fui neste sábado. Conheci o noivo em 1990, quando iniciamos nossa jornada escolar. Estudamos juntos até o fim do ensino médio em 2000. Além de nós dois, outro amigo também fez parte da turma. E só nós três passamos os longos (se bem que hoje os acho curtos) 11 anos de ensino fundamental e médio juntos. Depois da formatura, entretanto, cada um seguiu seu rumo e o destino cuidou de nos afastar.
Mas este mesmo destino permitiu que pudéssemos comparecer ao casamento e nos reencontrar. Só o fato de imaginar esse encontro quase uma década depois, o que na minha idade representa quase metade da minha vida (percebam, QUASE), já me fazia saltar lembranças de uma infância tão saudável e divertida que levei.
Claro que esse assunto foi exaustivamente conversado durante o casório, lembrados momentos de pura molecagem, outros que jamais repetiríamos, outros que sentimos muitas saudades por não podermos mais refazê-los. As histórias lembradas aos supetões foram sempre seguidas de saudosistas risadas.
E como num déjà vu o passado e o futuro se misturavam ao presente. Ao mesmo tempo em que lembrávamos do passado e nos púnhamos naquele momento, sabíamos e contávamos o que estamos realmente fazendo. Essa confusão temporal deixou com um gostinho mais saudosista ainda o nosso encontro.
E a festa rolava solta, e claro, além dos costumes já citados foi a hora de cortar a gravata do noivo. Comprei um pedaço, meu amigo também. Tenho certeza que este pedaço de gravata será um dia parte do passado, que em outros encontros será um dos assuntos do passado. E teremos outras novidades. E sentiremos a mesma nostalgia. E vamos querer poder viver tudo de novo. Mas teremos sempre orgulho do que somos e conseguimos. Não pude deixar de utilizar o velho clichê: “Não vamos perder o contato”, mesmo sabendo que isso vai acontecer, e trocar os novos telefones.
Saí da festa satisfeito com o encontro, feliz pelo casamento e muito orgulhoso de ter vivido tanto tempo com aqueles bons amigos, que hoje seguem suas vidas com dignidade, profissionalismo e tenho certeza, que assim como eles fazem parte da minha, faço parte da vida deles.


domingo, 2 de agosto de 2009

Domingo no Parque

Gilberto Gil



O rei da brincadeira. Ê, José!
O rei da confusão. Ê, João!
Um trabalhava na feira. Ê, José!
Outro na construção. Ê, João!...

A semana passada
No fim da semana
João resolveu não brigar
No domingo de tarde
Saiu apressado
E não foi prá Ribeira jogar
Capoeira!
Não foi prá lá
Pra Ribeira, foi namorar...

O José como sempre
No fim da semana
Guardou a barraca e sumiu
Foi fazer no domingo
Um passeio no parque
Lá perto da Boca do Rio...

Foi no parque
Que ele avistou
Juliana
Foi que ele viu
Foi que ele viu Juliana na roda com João
Uma rosa e um sorvete na mão
Juliana seu sonho, uma ilusão
Juliana e o amigo João...

O espinho da rosa feriu Zé
(Feriu Zé!) (Feriu Zé!)
E o sorvete gelou seu coração
O sorvete e a rosa, ô, José!
A rosa e o sorvete, ô, José!
Foi dançando no peito, ô, José!
Do José brincalhão, ô, José!...

O sorvete e a rosa, ô, José!
A rosa e o sorvete, ô, José!
Oi girando na mente, ô, José!
Do José brincalhão, ô, José!...

Juliana girando, oi girando!
Oi, na roda gigante, oi, girando!
Oi, na roda gigante, oi, girando!
O amigo João (João)...

O sorvete é morango. É vermelho!
Oi, girando e a rosa. É vermelha!
Oi girando, girando. É vermelha!
Oi, girando, girando...

Olha a faca! (Olha a faca!)
Olha o sangue na mão. Ê, José!
Juliana no chão. Ê, José!
Outro corpo caído. Ê, José!
Seu amigo João. Ê, José!...

Amanhã não tem feira. Ê, José!
Não tem mais construção. Ê, João!
Não tem mais brincadeira. Ê, José!
Não tem mais confusão. Ê, João!...

Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!

Essa música é uma narrativa fantástica e toda vez que ouço imagino perfeitamente a história contada por Gil, e o melhor, com uma riqueza de detalhes impressionante. Não vou tentar aqui fazer uma análise do discurso criado por Gil, mas apenas elencar alguns pontos principais desta história com tantos altos e baixos. Este, aliás, já é o primeiro.
Gil usa a roda-gigante do parque para mostrar exatamente essa variação, esse giro continuo com altos e baixos constantes. No início o autor define José como brincalhão e João como o briguento, mais tarde, no entanto, explica que João resolveu não brigar. José, por sua vez, foi ao parque e ficou nervoso com a cena que presenciou. Foi ele, então, que arranjou confusão, invertendo, aí, as características citadas nas primeiras estrofes.
Outra descrição perfeita acontece quando José chega no parque e avista Juliana com João. Juliana está com uma rosa e um sorvete na mão. Gil cria uma metáfora e diz que o espinho da rosa feriu Zé e que o sorvete gelou seu coração, justificando, então, a atitude violenta de José. Aliado a essa narrativa rica em detalhes, a melodia, muito ligada a sons de capoeira, já que João é capoeirista, e com melodia e arranjo cíclicos transforma a atmosfera num ambiente tenso e confuso, assim como José se sentiu diante da frustração de ver seu sonho se tornar uma ilusão.
Vários elementos distantes fisicamente entre si citados em sequência nos leva àquela sensação que temos quando ficamos nervosos, sem conseguir focalizar um único objeto e olhando para vários locais seguidamente.
Ao ouvir a música sentimos que o ato de José acontece quase que instintivamente, levado apenas pela emoção, tanto que, em poucas estrofes, com frases curtas José avista, se aproxima e esfaqueia o casal.
Não é a toa que esta música fez tanto sucesso no festival de música da Record. Parabéns Gilberto Gil, pela brilhante composição.


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